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	<title>Susana Gaião Mota</title>
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	<title>Susana Gaião Mota</title>
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		<title>O universal da migração</title>
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		<dc:creator><![CDATA[nucleodigital]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Oct 2024 18:08:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[Apesar do desconforto, todos têm suas razões para emigrar. Pode ser por amor, pela busca de novas oportunidades profissionais, pelo chamado à aventura, pelo olhar de mundo sem fronteiras

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<p>Roberta Pinheiro é gaúcha e tem 42 anos. Ela desembarcou em outubro de 2019 em Portugal com o marido e as duas filhas —uma com cinco anos; a outra, dois meses e meio. “Foi um mês muito difícil”, me disse ela ao lembrar de sua chegada. “Eu quebrei meu pé uma semana antes da viagem, então tive de vir de cadeira de rodas, com onze malas, duas crianças pequenas e o meu marido”. Além da limitação física, chegou sem casa e foi morar em um Airbnb por um mês. Por mais que haja planejamento, é sempre uma aventura mudar de país e começar tudo de novo, porque imprevistos acontecem, longe de casa tudo pode se tornar um problema, seja a falta de uma rede de apoio ou as diferenças de costumes.</p>



<p>Sandra e Francisco Lopes são setubalenses. O casal fez o caminho inverso ao de Roberta, deixando Portugal e indo para o Brasil. Chegaram ao Rio de Janeiro em 2002, quando Francisco recebeu um convite para gerir um grupo hoteleiro português com várias unidades pelo país. “Os nossos filhos tinham sete e três anos e a nossa terceira filha nasceu no Brasil, em 2007”, lembra ele. A família ficou treze anos fora de Portugal, seis anos no Rio de Janeiro e sete em São Paulo. Em 2016 decidiram regressar definitivamente. Para Sandra, a adaptação ao Brasil foi fácil: “Fomos emigrantes privilegiados, chegamos com uma estrutura toda montada, casa, carro e colégio para os nossos filhos”. Sem dúvida que esse apoio ajudou a integração, e Sandra considera que foi uma experiência muito enriquecedora: “Fomos muito bem acolhidos pelos brasileiros. Eu não trabalhei no tempo em que vivi no Brasil e pude dedicar-me aos meus filhos, viajávamos, eu praticava esporte e lia muito. Fui muito feliz”.</p>



<p>Aos 29 anos, a sesimbrense Cármen Rita decidiu se mudar para Lausanne, a região francófona da Suíça. Era 2016. À sua espera tinha o namorado, também português da região de Coimbra, que lá morava e trabalhava. “Foi uma decisão de coração, mas não foi tomada por impulso. Eu e o meu namorado estávamos cansados de viver à distância, e depois de dois anos longe, decidi despedir-me do meu emprego numa consultora em Portugal e vim ter com ele”, conta Cármen, para quem o início foi duro. O casal partilhava casa com outra pessoa, ela não tinha emprego, e o namorado ainda estava contratado a termo (nada fixo) —por essa razão ninguém lhes queria alugar um imóvel. Entre outras dificuldades, Cármen relatou o quanto foi difícil se separar da família e dos amigos e a adaptação a um clima tão frio. O tempo foi fundamental para ela forjar um sentimento de pertença e fazer do país estranho o lugar a que passou a chamar de “casa”. Os desafios, diz ela, continuam. Recentemente, eles se mudaram para a parte alemã da Suíça, onde ela tem enfrentado mais dificuldades de comunicação por não falar alemão. Mesmo assim, estes quase oito anos fora de Portugal permitiram a ela aprender francês e a aperfeiçoar o inglês. Cármen teve sua filha na Suíça e trabalha como consultora na área de e-learning e formação de adultos: “Faço cursos para empresas que têm necessidades específicas de formação e sinto-me feliz porque consegui um emprego muito bem pago na minha área”.</p>



<p>Psicóloga há 20 anos e com pacientes migrantes, entre portugueses emigrados e imigrantes em Portugal, Alexandra Cordeiro afirma que quando se deixa seu país, sua família e sua rede de apoio psicológico, é necessário criar relações seguras. “Uns investem bastante nas relações interpessoais, fazendo amigos; outros investem mais no núcleo familiar que trouxeram consigo ou criado posteriormente no país de chegada, como cônjuges e filhos, focando-se muito nessa dinâmica e no trabalho”, explica. A psicóloga diz ainda que é preciso ter resiliência no início, porque o desenraizamento e a falta de uma rede psicológica quando se chega a um novo território assustam, mas afirma que o desconforto pode servir de catalisador para se criarem raízes através de novos vínculos: “O sentimento de pertença a um lugar, a presença física e as partilhas são os pilares do equilíbrio emocional”. Ela acrescenta que é muito importante desenvolver o autocuidado. Outra dica é visitar primeiro o país para onde se quer mudar: “Ajuda a perceber, a sentir empatia com o local e, se houver a emigração, a integração vai ser tranquila”. Ela também aconselha que seus pacientes mantenham contato regular com a família e os amigos que ficaram, o que pode evitar a ansiedade criada pela separação e a angústia da sensação de incapacidade em ajudar quando se está longe.</p>



<p>Apesar do desconforto, todos têm suas razões para emigrar. Pode ser por amor, pela busca de novas oportunidades profissionais, pelo chamado à aventura, pelo olhar de mundo sem fronteiras. Como consequências positivas da mudança, todos os entrevistados disseram que há o fortalecimento dos laços familiares e de amizade. É bom ter em mente que o impacto da imigração vai se disseminando com o tempo. Se de início tudo parece difícil — a saudade da família e dos amigos, dos costumes e da rede de apoio —, o tempo pode ser uma grata surpresa.</p>



<p>Roberta Pinheiro e seu marido, Roberto, depois do choque inicial e dos momentos conturbados da chegada a Portugal, reorganizaram as suas vidas. Roberta se dedica à psicoterapia, e o marido montou um restaurante de carnes uruguaias no Estoril. As filhas também estão bem adaptadas, embora a mais velha sinta mais saudade do Brasil que a mais nova, conta Roberta: “Emigrar implica muita organização, e nós nos organizamos por quatro anos, vendendo a empresa, pedindo o visto ainda no Brasil, criando uma poupança e nos informando de todo o processo que iríamos viver”. É importante quem está decidindo emigrar ter noção de que sempre vão existir desafios, diz Roberta, “porque se a gente acha que vai emigrar e lá naquele lugar vai ser feliz, vai ter mais possibilidades, eu ouso dizer que em qualquer lugar a gente tem possibilidades, mas junto com a possibilidade vem o desafio e onde há desafio há desconforto”.</p>



<p>Segundo Alexandra Cordeiro, a maioria dos imigrantes sente maior pertença ao país de chegada que o de partida depois de alguns anos, embora tudo dependa da qualidade das relações que desenvolvem: “Pertence-se mais onde se encontram as relações seguras, de respeito, acolhimento, partilha e aceitação”. Se pensarmos que a nossa estrutura de suporte é interna, qualquer lugar pode ser chamado de casa. Roberta explica bem a sensação: “O meu coração está dentro de mim, o meu&nbsp;<em>grounding</em>&nbsp;é interno, não está em nenhum lugar, o meu coração está onde eu estou, onde está o meu marido e as minhas filhas. Então, um lugar onde temos a chance de sermos como somos, sem rejeição nem julgamentos, um lugar onde possamos crescer e evoluir, é um lugar onde podemos ser felizes”.&nbsp;</p>



<p>Para ser emigrante é preciso ser muito forte, pode-se ficar com a sensação de não pertença, mas sem dúvida são adquiridos novas experiências e sentidos de vida. No seu&nbsp;<em>Livro do Desassossego</em>, Fernando Pessoa já dizia: “Outrora eu era daqui, e hoje regresso estrangeiro; forasteiro do que vejo e ouço, velho de mim. Já vi tudo, ainda o que nunca vi, nem o que nunca verei. Eu reinei no que nunca fui”.</p>



<p>Viver a emigração é ser estrangeiro para sempre. É estar num lugar e não se sentir pertencente. É não nos reconhecerem nem nos reconhecermos mais como iguais aos demais. É ter saudades constantemente do que se perdeu, sem querer abrir mão do que se conquistou. E quando se pede para dizer a que lugar se pertence, talvez ninguém saiba realmente. Passa-se a ser estrangeiro em todos os lugares, menos no coração que habita em nós!</p>



<p><a href="https://brasilja.pt/coluna/o-universal-da-migracao" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Artigo originalmente escrito para a revista Brasil Já</a></p>
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		<title>Os conflitos adoecem a todos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[nucleodigital]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Oct 2024 18:02:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[Mal refeitos da Covid-19, somos agora confrontados com duas guerras simultâneas, milhões de refugiados, milhares de mortos e a ameaça de uma guerra em escala planetária

]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>ão é necessário estar no palco de uma guerra, como a da Ucrânia, para sofrer as suas consequências. Há aqueles que são os protagonistas, porque estão no terreno e sofrem o trauma do choque, e há os que assistem diariamente pela televisão às atrocidades cometidas nas guerras e, com isso, podem desenvolver um trauma secundário. As pessoas deste segundo grupo não estão no campo de batalha, mas conseguem ter a percepção do conflito e ser empáticos o suficiente para se colocarem ao lado dos que lutam.</p>



<p>Quando um paciente vem ao meu consultório com uma queixa, habitualmente tem a ver com a sua história de vida; mas quando muitos pacientes entram no consultório falando do quanto estão estressados, angustiados ou tristes com a violência no mundo, já não é um problema particular —é um problema coletivo. E assim caminha o mundo. Ainda mal refeitos dos anos da Covid-19, da consequente insegurança pessoal, das perdas e da tristeza que a pandemia causou, tendo de enfrentar a posterior crise socioeconômica, somos agora confrontados com duas guerras simultâneas, milhões de refugiados, milhares de mortos e a ameaça de uma guerra em escala planetária. Se a Europa pôde respirar aliviada com o fim da Segunda Guerra Mundial, o continente agora segura o ar por conta do fantasma de um conflito em nível planetário.</p>



<p>Podemos até aconselhar que as pessoas toquem suas vidas normalmente e se alheiem do noticiário mais pesado, mas não podemos ignorar que as consequências dos conflitos nos atingem direta ou indiretamente. Quanto mais crescem os sentimentos de incerteza, mais difícil é gerir o medo. Este trauma de continuidade —porque as guerras têm se prolongado no tempo mais do que poderíamos supor — pode aumentar a nossa percepção de que o mundo não é um lugar seguro, e esta ideia mais cedo ou mais tarde vai prejudicar a nossa saúde física e mental. Entre os promotores da saúde há uma certa unanimidade nos conselhos que dão para combater o estresse: evitar ver demasiadas notícias, especialmente as que vêm acompanhadas de imagens.</p>



<p>O conflito na Ucrânia é a primeira guerra transmitida quase em tempo real pelas redes sociais. Nem a mídia dá conta da demanda nem os telespectadores estão preparados para distinguir a veracidade das informações e identificar a contrainformação, ou&nbsp;<em>fake news</em>, com que somos bombardeados a todo o momento. E mais problemático será o que advém do trauma, que é o que fica nas pessoas do que elas consomem. São marcas que as guerras deixam em todos nós, não importa de que lado estamos. A estas sequelas chamamos transtorno de estresse pós-traumático, sintomas que surgem após vivenciar ou testemunhar situações psicologicamente perturbadoras.</p>



<p>O estresse pós-traumático se revela de muitas formas, seja como insônia, irritabilidade, mudanças de humor súbitas ou medo de realizar tarefas que antes eram seguras e prazerosas. Será o que viverão muitos sobreviventes, órfãos, refugiados, combatentes e testemunhas das guerras nos próximos anos —e quando falo em próximos anos, falo de várias gerações de famílias afetadas. Os traumas provocados pelas guerras são transgeracionais, deixando as suas marcas tanto no corpo quanto na psiquê mesmo dos que não as vivenciaram pessoalmente.</p>



<p>Um estudo apresentado em 2019 por Ivan Rektor, pesquisador de neurociência, mostra que passar por uma situação traumática pode, além de comprometer a saúde mental, causar danos biológicos. Rektor e a sua equipe analisaram a estrutura cerebral de sobreviventes do Holocausto e constataram que o estresse e o sofrimento levaram a uma redução significativa da massa cinzenta dessas pessoas. Rachel Yehuda, professora de psiquiatria e neurociência, acrescentou que as pessoas com estresse pós-traumático revivem constantemente sensações e sentimentos associados ao trauma, apesar de ele ter ocorrido no passado. Os sintomas incluem dormência, depressão, ansiedade, pensamentos negativos e facilidade em ficar sobressaltado ou nervoso.</p>



<p>Ainda não há um consenso científico para explicar por que algumas pessoas são mais propensas ao estresse pós-traumático do que outras. Algumas hipóteses incluem fatores genéticos, questões hormonais e a habilidade de cada um em lidar com situações de estresse — o que chamamos de resiliência. Isso explica por que uma mesma situação vivenciada por diferentes pessoas pode impactar muito algumas e outras não. No entanto, mesmo aqueles aparentemente estáveis e com uma boa condição de vida (moram num lugar seguro, têm recursos e vínculos afetivos saudáveis etc.) não são imunes ao trauma. Todos temos um certo grau de sensibilidade e muitas pessoas não estão conscientes de que o seu nível de estresse vai aumentar —não têm essa consciência porque nem sempre os problemas são expressos pela psiquê. O nosso corpo fala, expressa emoções e pode somatizar o que sentimos por meio de dores de cabeça e de estômago, palpitações, infecções etc., até porque o estresse ataca o sistema imunitário.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Como combater o estresse pós-traumático?</h3>



<p>Atualmente há tratamentos dos mais conservadores aos mais alternativos para cuidar do estresse pós-traumático e minorar os danos associados à vivência dos conflitos, direta ou indiretamente. As abordagens multidisciplinares têm revelado resultados positivos por meio de terapias especializadas, terapia de grupo e apoio social para ajudar as pessoas a reconstruírem suas vidas.<strong>&nbsp;</strong>Mas vínculos seguros serão sempre o principal preditor de saúde mental entre humanos, visto que fomos feitos para viver em comunidade.</p>



<p>Uma pessoa deprimida, com muita dor, precisa de laços seguros, solidariedade, amor e compreensão; precisa ser ouvida para poder dissolver a armadura em que se encarcerou e voltar a confiar na vida.<strong>&nbsp;</strong>Em consultório, a pessoa traumatizada precisa de apoio e empatia, de uma relação terapêutica verdadeira, de generosidade.<strong>&nbsp;</strong>Quando tentamos dissolver o trauma num ambiente seguro, podemos ajudar as pessoas a fazer uma pendulação entre o seu lado mais saudável e o seu lado adoecido e, assim, vão se libertando do trauma e restabelecendo o equilíbrio.</p>



<p>O psicanalista Alexander Lowen defende a integração entre o corpo e a mente, proporcionando maior contato com a realidade e incentivando as pessoas a lidarem com as suas emoções, permitindo a descarga das tensões e estabelecendo um fluxo energético saudável no organismo.<strong>&nbsp;</strong>Como precisamos de segurança e equilíbrio quando temos demasiada carga energética negativa, o nosso corpo se rebela através da produção de sintomas.<strong>&nbsp;</strong>Após a abordagem de Lowen, foram sendo criadas as perspectivas corpo-mente, como a Brainspotting, a Somatic Experiencing ou o EMDR. Elas permitem uma remissão dos sintomas, uma vez que incidem sobre a raiz dos traumas, alcançando o que os medicamentos não conseguem: as memórias instaladas no sistema nervoso.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p>Tal como ocorrerá agora, após a Segunda Guerra Mundial muitas crianças ficaram órfãs. Na época, o psiquiatra John Bowlby foi convidado pela Organização das Nações Unidas a refletir sobre o tema. O resultado do trabalho foi a famosa Teoria do Apego, segundo a qual os bebês se apegam a adultos que os tratam bem. Essas pessoas são a sua base segura para confiarem e poderem ir explorar a vida.<strong>&nbsp;</strong>A Teoria do Apego tem formado a base de novas terapias e esclarecido as já existentes, e seus conceitos têm sido usados na formulação de políticas sociais e de amparo de crianças. Ela passou a ser usada também no tratamento de adultos para identificar e cuidar do tipo de relações amorosas que cada um de nós é capaz de desenvolver.<strong>&nbsp;</strong>Vínculos seguros podem restaurar a dor vivida e dar um novo sentido a quem, depois do choque, quer começar de novo.</p>



<p>Há um ditado popular que diz que “o que não nos mata nos torna mais fortes”. Quem desenvolve a resiliência para sair do desconforto e do desequilíbrio ganha uma força de viver quase imbatível. “O trauma não está no evento, mas do que posteriormente pensamos dele” — esta frase é de um dos mais reputados biofísicos e psicólogos, Peter Levine, que desenvolveu o método naturalista de lidar com o trauma, o&nbsp;<em>Somatic Experiencing</em>.<strong>&nbsp;</strong>Criar memórias pode ajudar no processo de recuperação, mas primeiro é necessário desbloquear os sentimentos, porque resistir ao que nos causa dor atrapalha o nosso processo de cura. Não resistir à dor, fazer o luto dela e dar um novo sentido à vida, só isso nos pode levar à libertação.</p>



<p><a href="https://brasilja.pt/coluna/os-conflitos-adoecem-a-todos" target="_blank" rel="noopener">Artigo originalmente escrito para a revista Brasil Já</a></p>
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		<title>Olá, solidão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[nucleodigital]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Oct 2024 17:57:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[Manter laços atualmente é o resultado de planejamento.

]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>E<em>u já fui assim Tão focado em mim </em><br><em>Sem querer conselhos de ninguém (…) </em><br><em>Fiz bandeira de um velho ditado </em><br><em>Melhor só que mal acompanhado </em><br><em>Nem pensava em apoiar os pés no chão </em><br></p>



<p>A solidão ganhou até letra de música de uma banda de sucesso portuguesa, a Quatro e Meia, que fala de uma das realidades mais sensíveis da sociedade moderna. É bom que alguém fale do tema de um jeito que chegue às massas, porque apesar de todos já termos nos sentido sozinhos, há sempre pudor, vergonha ou dificuldade de o admitir.&nbsp;</p>



<p>Existe um estigma de fraqueza de quem se sente só. O paradoxo é que hoje há muitas maneiras de encurtar distâncias e conviver com familiares e amigos —meios de transportes acessíveis, estradas boas, viagens low cost, telefo nes, internet. E, apesar disso —e talvez um pouco por isso— cada um vive na sua bolha.&nbsp;</p>



<p>Falta de tempo, excesso de trabalho, obrigações, cansaço. Há muitas razões, algumas até inexistentes antes da era das redes sociais. Eu me lembro de estar numa sexta à noite sozinha em casa e ligar para uma amiga. “Vamos comer alguma coisa ou tomar um café?”, eu disse.&nbsp;</p>



<p>Em menos de trinta minutos estávamos sentadas em volta de uma mesa rindo ou chorando e falando da vida.&nbsp;</p>



<p>Só que momentos desses são cada vez mais raros, ora porque não marcamos restaurante, ou porque não estamos suficientemente arrumados para sair, ou porque —e principalmente porque— temos muita dificuldade de ser espontâneos. Manter laços atualmente é o resultado de planejamento.&nbsp;</p>



<p>Sair implica ser visto e postar nas redes sociais e, para isso, é necessário se apresentar irrepreensível. Aí, quando as pessoas não se sentem na melhor versão, preferem não ir, porque há que cultivar a ideia de perfeição. Só que essas mesmas pessoas sabem que não são perfeitas, e, nessa con tradição de aparência versus realidade, se desenvolve a Síndrome do Impostor.&nbsp;</p>



<p>Queremos parecer e não ser o que somos. Cansados dessa escravidão da imagem, da moda, do culto ao corpo, há quem prefira se isolar, especialmente os mais tímidos, introvertidos, com dificuldades de relacionamento ou baixa autoestima. Como vão se encaixar e ser aceitas estas pessoas num mundo perfeito?&nbsp;</p>



<p>O mal-estar se acentua porque o isolamento pode causar dor emocional. A pessoa se sente rejeitada pelos outros e se isola mais, num círculo vicioso. Quantos clientes atendo em consultório e percebo que a sua patologia é a solidão? Há queixas de dores, problemas no traba lho, tristeza.&nbsp;</p>



<p>São sintomas que esquecem assim que recebem um convite para um evento de que gostam, com pessoas com quem se sentem seguros e felizes. E, quando não, pagam para ir ao consultório apenas para ser ouvidos e transformam a consulta numa reunião ou conversa que não têm oportunidade de conseguir de outro jeito.&nbsp;</p>



<p><strong>Solidão é sobretudo não ter com quem se desenvolver intimidade emocional.</strong>&nbsp;O maior enigma desse sentimento é que é possível estar sozinho sem sentir solidão. Há pessoas que gostam de sossego, de tempo para si. É o momento em que tiram para pôr em prática seus projetos ou objetivos de vida.&nbsp;</p>



<p>Na maior parte do tempo, não sen tem solidão. Então, partindo dessa ideia podemos afirmar que apenas as pessoas que experienciam dor psicológica quando estão sozinhas sofrem de solidão. Ainda no século passado, Melanie Klein foi pioneira na investigação sobre o tema e considerou que a solidão tinha origens na infância.&nbsp;</p>



<p>Para a psicanalista, os solitários sofriam de uma perda irreparável primordial da qual nunca conseguiram se recuperar.&nbsp;</p>



<p>No podcast Que Voz É Esta, sobre a depressão em bebês, o pedopsiquiatra Pedro Caldeira da Silva, do hospital pediátrico Dona Estefânia, em Lisboa, relata que o bebê mais novo que atendeu com depressão tinha quatro meses.&nbsp;</p>



<p>“Foi um caso de entrega da criança no hospital, a mãe o deixou lá porque não tinha condições para tomar conta dele”, afirmou. A depressão deste bebê ocorreu, segundo análise de Melanie Klein, por solidão.&nbsp;</p>



<p>Ela afeta a todos, em qualquer idade, e pode se revelar de diferentes formas. Foi o que observou o psiquiatra João Carlos Melo, que publicou o livro “Uma Luz na Noite Escura”, de 2022, resultado de sua observação a pacientes. Uma delas é a dificuldade ou a incapacidade de transmitir aos outros o que está sentindo.&nbsp;</p>



<p>O autor diz que “a solidão, ainda que seja inerente à condição humana, parece estar em crescimento e se tornando um enorme problema”. A solidão tem impacto na saúde física, nomeadamente na hipertensão e em problemas cardiovasculares, além das demais psicopatologias, como ansiedade, estresse e depressão.&nbsp;</p>



<p>Em 2021, a Organização Mundial de Saúde reconhecia a depressão como a principal causa de incapacidade no mundo. O escritor americano Andrew Solomon também fez a descida ao inferno da doença e sua experiência se transformou no livro “O Demônio da Depressão”, no qual relata em primeira pessoa o que é lutar contra a depressão crônica.&nbsp;</p>



<p>Em oposição à felicidade, que o autor acredita ser fugaz, a depressão é um estado que não passa nunca. Ele indica a dica da famosa escritora do século 20, Virginia Woolf: “Faça anotações e a dor passa!”. E conclui que a depressão é a doença da solidão.&nbsp;</p>



<p>Mesmo sabendo que o autocuidado deve ser sempre o ponto de partida —hábitos saudáveis, praticar atividade física, dormir bem e ter uma alimentação saudável—, retribuir o amor e fazer algo pelos outros me lhora a saúde mental.&nbsp;</p>



<p>Segundo João Carlos Melo, “enquanto houver alguém que pensa em nós, nunca estaremos sós”. Acrescento que, se olharmos cada um como um potencial amigo, se virmos a humanidade como um todo, a dor da solidão passa a não ter espaço para existir.&nbsp;<strong>Vamos conviver, vamos nos cuidar!&nbsp;</strong></p>



<p><a href="https://brasilja.pt/coluna/ola-solidao" target="_blank" rel="noopener">Artigo originalmente escrito para a revista Brasil Já</a></p>
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		<title>As novas linguagens do amor (?)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[nucleodigital]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Oct 2024 17:51:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[Quando alguém não é empático, a sua comunicação não é clara. Isso gera decepção, mal-entendidos, mentiras, frustração e conflitos

]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Poderia considerar um caso isolado, se ao longo dos meus anos de atendimento em consultório como psicoterapeuta eu não tivesse ouvido essa mesma história contada por diferentes pessoas de diferentes idades, sexos ou condição social: me refiro ao fenômeno psicológico de ficar com o coração partido. São muitas as mulheres que pedem ajuda para a síndrome do Coração Partido ou Takotsubo syndrome (nome científico). </p>



<p>Uma das principais razões da atualidade para ficar de “coração partido” é o fim das relações amorosas. Alguém lhes prometeu o céu e depois lhe entrega o inferno da incerteza, da solidão e da baixa autoestima. Há pessoas que falam todos os dias pelas redes sociais como se fossem namorados, mesmo nunca tendo se visto. Outras vezes acontece um envolvimento físico e emocional que acaba de forma bem diferente do idealizado.</p>



<p>Quase com um caráter profético, o Don Juan e a sua versão feminina deixaram a literatura para a vida real. As redes sociais, e especialmente os sites de encontros, pela forma como são concebidos e utilizados, permitem uma sedução avassaladora que muitas vezes é seguida de um corte radical —uma realidade tão atual que este tipo de comportamento ganhou nome próprio e é estudado por sociólogos, psicólogos e até filósofos.&nbsp;</p>



<p>Já nos anos de 1960, o polonês Zygmunt Bauman, autor de mais de cinquenta livros, introduziu o conceito de “modernidade líquida”. Durante a revolução industrial, quando se passou a priorizar as relações econômicas ao invés das relações humanas, cresceu a convicção de que “a mudança é a única coisa permanente, e a incerteza, a única certeza.” Em um mundo de avanços e recuos, que gera angústia em busca do prazer imediato, as pessoas com síndrome de Peter Pan —que não querem crescer— levaram a um enorme crescimento das relações líquidas.</p>



<p>Se pudermos fazer uma cronologia das relações líquidas e tóxicas, normalmente elas começam com o love bombing (bombardeio de amor), que, como o próprio nome sugere, é uma forma de aproximação em que o sedutor faz demonstrações de atenção e afeto exagerados a alguém que mal conhece, com o objetivo é fazer com que o outro se sinta valorizado e especial. O problema é que este bombardeio, por não ser sincero, normalmente faz parte de um ciclo de abusos, em que assim que a vítima, um vez conquistada, é abandonada.</p>



<p>O mais violento e um dos mais comuns comportamentos, já depois da conquista, é o ghosting, palavra inglesa derivada de fantasma, em que a pessoa some de forma repentina sem explicações ou aviso prévio e posterior, e ignora qualquer tentativa de contato ou comunicação.&nbsp;</p>



<p>Já testemunhei pessoas chorando por horas em consultório, cobrando de si o desaparecimento súbito do outro e procurando algo de errado que tivessem feito ou dito que pudesse ter induzido a esse comportamento. O ghosting também pode ser feito a amigos, familiares ou chefes, mas sem dúvida é nas relações amorosas que causa maior impacto.</p>



<p>Outra forma de abuso emocional é confundir a vítima com um comportamento ambíguo, o chamado benching, mais uma palavra inglesa que significa deixar a outra pessoa à espera. Ficar no banco até que o sedutor se lembre de aparecer novamente do nada e sem dar explicações para o sumiço. Quem usa esta estratégia não tem a intenção de desenvolver uma relação com o outro, pretende apenas usar a outra pessoa. Ser um Don Juan é adotar o chamado catch and release, comportamento comum nas pessoas que adoram a conquista.</p>



<p><strong>E afinal quem são as vítimas e quem são os agressores nessas novas relações?&nbsp;</strong>Geralmente as vítimas são pessoas carentes, com históricos de relações afetivas difíceis, baixa autoestima e claros problemas de dependência afetiva. Acreditam que a sua felicidade depende da outra pessoa.&nbsp;</p>



<p>Já os agressores costumam ser pessoas egocêntricas, impulsivas e narcisistas, pessoas vaidosas, que se consideram superiores, muitas vezes promíscuas ou com traumas por resolver e as conquistas alimentam o seu ego ferido. Os dois tipos de personalidades se atraem pelas suas necessidades que se completam, umas de atenção e outras de valorização e poder pessoal.&nbsp;</p>



<p>Costumo dizer aos meus pacientes que conheçam as pessoas, os seus hábitos, a sua história, mas depois se detenham nas ações. Quando alguém não é empático, a sua comunicação não é clara. E isso gera decepção, mal-entendidos, mentiras, frustração e conflitos. A responsabilidade emocional é a consciência que deve orientar as nossas ações em relação às emoções das outras pessoas, é comunicar com clareza e sinceridade as nossas intenções em nossos relacionamentos.</p>



<p>Pessoas seguras e emocionalmente responsáveis são diretas e verdadeiras, explicam o que sentem, o que querem e até que ponto querem ou não atender as expectativas da outra pessoa. Se relacionar com alguém saudável e verdadeiro é a melhor forma de realização pessoal e emocional.&nbsp;</p>



<p>E, se é verdade que todos corremos o risco de sermos enganados um dia, também é verdade que no momento em que nos damos conta disso só temos um caminho: pular fora o mais depressa possível.</p>



<p><a href="https://brasilja.pt/coluna/as-novas-linguagens-do-amor" target="_blank" rel="noopener">Artigo originalmente escrito para a revista Brasil Já</a></p>
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		<title>O que é a Psicoterapia e o que ela pode fazer pelo seu bem-estar?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Susana Gaião Mota]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jan 2023 21:08:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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<p><strong><em>Quando alguém chega a um consultório decidido a expor a sua vida, mas sobretudo as suas fragilidades é porque não está bem!</em></strong> <strong><em>Decididamente ninguém se “mostra” se não tiver um ganho secundário maior com esse comportamento</em>.</strong></p>



<p class="has-medium-font-size">É claro que um consultório onde os profissionais se regem por códigos de ética é um lugar seguro para dizer o que pensa e sente sem por isso sofrer qualquer tipo de julgamento. É também um espaço de confidencialidade.</p>



<p class="has-medium-font-size">E afinal o que é a Psicoterapia?</p>



<p class="has-medium-font-size">É importante definir primeiro que dentro da Psicoterapia existem vários métodos de tratamento, ou abordagens, embora a maioria tenha ido beber à mesma fonte: Wilhelm Reich, médico e psicanalista, percursor de Freud.</p>



<p class="has-medium-font-size">Reich olhou o ser humano como um todo, como um ser holístico, composto por corpo e mente e, portanto, integrando o trabalho corporal no processo de cura.</p>



<p class="has-medium-font-size">A Psicoterapia Somática, a qual sigo, é uma das correntes mais atuais e completas de abordar o ser humano, a par com a Biodinâmica e a Bioenergética. Estas três correntes têm uma visão integradora do ser humano – corpo/ mente.</p>



<p class="has-medium-font-size">Quantas doenças crónicas não derivam do nosso sistema nervoso estar em sobrecarga?</p>



<p class="has-medium-font-size">O corpo também é um reflexo das emoções reprimidas, das vivências traumáticas e da história de cada um.</p>



<p class="has-medium-font-size">As posturas corporais são adquiridas, tal como as posturas comportamentais, ao longo dos anos e de acordo com as nossas vivências.</p>



<p class="has-medium-font-size">Assim se ajuda a explicar as escolioses, a anorexia ou bulimia ou mesmo a fibromialgia.</p>



<p class="has-medium-font-size">Cada corpo conta uma história. Além de que a mente por vezes pode enganar-nos, mas o corpo expressa-se numa linguagem impossível de esconder.</p>



<p class="has-medium-font-size">A Psicoterapia Somática aborda o paciente através do diálogo, mas também do desenho, das posturas corporais, dos movimentos que exagera ou reprime, da respiração e sobretudo promove a observação dinâmica sobre o próprio corpo, para perceber e satisfazer as suas necessidades atuais.</p>



<p class="has-medium-font-size">O corpo é uma das melhores ferramentas à disposição do terapeuta.</p>



<p class="has-medium-font-size">Quando estamos em ressonância com o nosso paciente é possível “sentir” as sensações corporais dessa pessoa. Essa informação ajuda-nos a descodificar o sentir e a procurar formas mais confortáveis de estar. Outras vezes, o corpo do psicoterapeuta é um tradutor das sensações através do espelhamento do outro para que ele perceba como é a sua postura.</p>



<p class="has-medium-font-size">O corpo guarda memórias que cognitivamente podemos nem sequer reter. Descarregar movimentos interrompidos do corpo é uma forma de libertar trauma e seguir em frente.</p>



<p class="has-medium-font-size">O que é traumático “ não é o evento em si mas o que pensamos dele”.</p>



<p class="has-medium-font-size">Partindo desta ideia não podemos mudar o que aconteceu. Mas podemos mudar a nossa perspetiva sobre isso à luz do que sabemos hoje e reescrever uma nova história ou um novo conto que contamos a nós próprios.</p>



<p class="has-medium-font-size">A psicoterapia visa atuar em problemas como a depressão, a ansiedade, dificuldades de relacionamento e problemas de saúde mental. A psicoterapia vai para além da hora da consulta, já que ela promove uma mudança interior que se vai fazendo. O resultado esperado é o restabelecimento da qualidade de vida desenvolvendo recursos internos para lidar com assuntos do passado, do presente e ter serenidade quanto ao futuro.</p>
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		<title>Desistir (quase) nunca é uma opção!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Susana Gaião Mota]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Oct 2022 21:04:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[*É importante salvaguardar que este titulo se refere a sonhos nossos, que dependem sobretudo de nós, e não a desejos impossíveis ou inviáveis de concretizar que precisemos de contar com os outros, com acasos ou imponderáveis pouco realistas! Ia no carro distraída com o trânsito a caminho de casa, assim que ouvi primeiros acordes de [&#8230;]]]></description>
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<p><em>*É importante salvaguardar que este titulo se refere a sonhos nossos, que dependem sobretudo de nós, e não a desejos impossíveis ou inviáveis de concretizar que precisemos de contar com os outros, com acasos ou imponderáveis pouco realistas!</em></p>



<p>Ia no carro distraída com o trânsito a caminho de casa, assim que ouvi primeiros acordes de “When we were young” aumentei o volume do rádio. Definitivamente adoro esta música da Adele, ainda que toque vezes sem conta na rádio até nos deixar enjoados.</p>



<p>Não pude deixar de pensar nas palavras desta brilhante cantora quando lançou o álbum Hello!</p>



<p>Dei comigo a pensar na entrevista que ela deu e que marcou bastante, por ter dito que chegou a pensar em desistir da música! Foram três anos de ausência depois de um sucesso retumbante. Citando as suas palavras à BBC ela referiu: &#8211; “<em>Senti que eu nunca iria terminar este álbum. Foi um processo longo e quis desistir, (…) achava que as minhas ideias haviam terminado e que tinha perdido a minha habilidade para escrever uma canção</em>.”</p>



<p>Como ela estava equivocada – Resultado: novo sucesso estrondoso.</p>



<p>Podia dar-vos aqui dezenas de exemplos do que estou a tentar dizer, mas vou dar-vos mais dois. Tenho uma amiga que pinta maravilhosamente bem. Nunca havia pintado antes na vida, começou aos 50 anos, e os quadros dela são de uma sensibilidade e beleza como tenho visto poucos.</p>



<p>Não pintou antes talvez por medo, infelizmente ainda não tive oportunidade de lhe perguntar. Mas têm as suas criações quase todas vendidas!</p>



<p>Outro exemplo, tenho um amigo que escreve melhor que muitos dos escritores de sucesso que vimos nas montras das livrarias todos os dias.</p>



<p>Os seus textos transmitem aquela angústia característica dos bons escritores, a capacidade de levantar o véu sobre as questões que realmente importam, a dualidade da razão e da emoção, a complacência para com o destino e até a queda para os finais tristes e sombrios que tanto encantam leitores e críticos.</p>



<p>Quando questionado porque não dá a conhecer ao mundo algo que faz tão bem, encolhe os ombros lacónico, não se quer expor, não se quer pressionar, não se quer sujeitar às opiniões alheias.</p>



<p>Com estes exemplos quero mostrar que quanto mais as pessoas são brilhantes mais medo têm, mais inseguras são, mais frágeis e permeáveis se tornam às criticas de outros – habitualmente muito menos brilhantes que elas.</p>



<p>Cada vez me apercebo mais que o medo é proporcional ao talento.</p>



<p>Como poderíamos não gostar da Adele, com a voz magnifica que ela tem?</p>



<p>Concordo que o perfecionismo é importante. A constante insatisfação connosco próprios é que nos faz crescer, mas a autoexigência a que se sujeitam e com que se maltratam, faz com que estas pessoas se desafiem e superem constantemente.</p>



<p>Mas é importante que saibamos o nosso valor, que tenhamos a certeza do que fazemos bem, para que esse talento não se dilua em si mesmo, na sua neura, nem na sua exigência insaciável.</p>



<p>Claro que fazemos algumas coisas melhores que outras, que há momentos de maior ou menor inspiração, mas o nosso valor vive dentro de nós. E os grandes acertos podem chegar após pequenos ou mesmo enormes erros.</p>



<p>Mas o que fica do que passa é sempre valorizado.</p>



<p>Não desistamos dos nossos talentos, dos nossos sonhos e daquilo que sabemos que fazemos bem.</p>



<p>Se nascemos com um dom ou talento o universo merece que o compartilhemos.</p>



<p>Escrevo para os outros e para mim. Temos de pensar que não podemos desistir à primeira contrariedade. O otimismo é um grande motor de arranque rumo ao sucesso.</p>



<p>O que nos encanta assusta-nos, aproximamo-nos e fugimos das coisas, temos medo das críticas, mas isso não faz sentido. Se gostarem ótimo, senão também não será tempo perdido, será sim tempo de aprendizagem.</p>



<p>Os nossos sonhos não devem nunca ser postos numa gaveta, o nosso talento também não!</p>



<p></p>



<p></p>
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		<title>Para avaliar onde chegamos é importante saber de onde partimos!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Susana Gaião Mota]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Aug 2022 22:48:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[Outro dia tive um sonho, estranho como são todos! Eu era pequena e tinha as pernas presas por cordas. Junto a essas cordas havia um daqueles caniches que me mordia e me fazia olhar para baixo. Precisava de o vigiar constantemente para que não me desse mais uma dentada nos tornozelos já feridos.&#160; Esse estado [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Outro dia tive um sonho, estranho como são todos!</p>



<p>Eu era pequena e tinha as pernas presas por cordas. Junto a essas cordas havia um daqueles caniches que me mordia e me fazia olhar para baixo. Precisava de o vigiar constantemente para que não me desse mais uma dentada nos tornozelos já feridos.&nbsp;</p>



<p>Esse estado de alerta desviava-me do meu foco &#8211; O futuro, a aprendizagem, o crescimento.</p>



<p>Como olhar para a frente se o passado nos trava?</p>



<p>E o passado pode prejudicar-nos muito mais do que imaginamos. Pode limitar-nos, porque mesmo quando todas as evidências nos dizem – Tu és capaz, tu tens valor, tu és bom – Há um cachorro que nos morde as pernas e nos desvia do caminho onde queremos chegar.</p>



<p>A sorte é que as crianças também crescem, ganham recursos e defesas, e as mordidelas dos cachorros deixam de doer tanto.</p>



<p>Já adultos podemos descobrir algo maravilhoso &#8211; Que temos força suficiente para chutar para bem longe os caniches que nos atrapalham a vida, cicatrizar as feridas e seguir em frente.&nbsp;</p>



<p>É um acto de coragem. É um encontro com o medo. É um salto no vazio. E o que virá depois?&nbsp;</p>



<p>Quando mais precisamos as respostas não chegam, escolher é sempre um acto de fé.</p>



<p>Só mais tarde poderemos validar ou não a nossa opção. Mas no momento da escolha estamos sozinhos, sem certezas, somos só nós, connosco!</p>



<p>Parecemos tão pequenos e no entanto só nos podemos valer desse pouco que somos nós.</p>



<p>Ao caminhar descobrimos que o próprio percurso é mais importante que a meta. É ele que nos ergue, que nos ensina e que nos fortalece.</p>



<p>O sucesso pode ser a resposta final mas para avaliar o alcance do mesmo não podemos ver só onde chegamos, é muito importante saber de onde partimos.</p>



<p>Quantos cães tínhamos a morder-nos os tornozelos quanto queríamos andar?</p>



<p>Quantas feridas tivemos que sarar sem nos perdermos nelas próprias?</p>



<p>Existem pessoas extraordinárias, verdadeiras inspirações para os demais.&nbsp;</p>



<p>E as vidas delas não foram perfeitas, pelo contrário foram cheias de problemas, contratempos e frustrações. Elas tiveram de acreditar em si próprias quando os outros não lhes davam crédito. Então como foram capazes? Porque foram resilientes o suficiente para lutar no que acreditam, para ter fé no futuro e esperança no coração.</p>



<p>Cada um de nós tem um caminho único. Por isso não dá para dizer que o vizinho do lado tem mais sorte ou azar. Cada um enfrenta os seus cães, tem os seus desafios, o seu percurso e os recursos necessários para percorrê-lo.</p>



<p>&nbsp;O Papa Francisco é o autor de uma das minhas frases preferidas “ Deus dá as maiores batalhas aos seus melhores soldados”.</p>



<p>Acho que assim é, senão não teríamos pessoas com histórias de vida tão difíceis a chegar tão longe.</p>



<p>As dificuldades humanizam-nos, fazem-nos criar empatia e compaixão para com os outros.</p>



<p>Não há nada mais triste que alguém que não consegue pôr-se no lugar do outro, que só consegue ver-se no centro do mundo. Que mundo tão pequeno o em que essa pessoa enxerga.</p>



<p>Por outro lado quem vê as dificuldades, as suas e as dos outros, têm coragem de travar batalhas e de as vencer, ou não, mas mesmo assim segue caminhando, é alguém que se fortalece, é alguém que se ama e que se torna invencível.&nbsp;</p>



<p>Cada um tem cachorros que os mordem, mas tem também a possibilidade de os afastar da vida e seguir o caminho que quer, que acredita que é o seu.&nbsp;</p>



<p>Não deixe que os outros lhe digam como viver, viva como acredita que deve.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Ao compreender sua verdadeira natureza e o seu objectivo, sua vida estará transformada para sempre.</strong></p><cite>Brian Weiss</cite></blockquote>
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